
Depois de anos de espera, expectativas elevadas e incontáveis teorias da comunidade, Hollow Knight: Silksong finalmente chega como uma das sequências mais aguardadas do gênero metroidvania. Desenvolvido pela Team Cherry, o jogo expande o universo do título original ao colocar os jogadores no controle de Hornet, uma protagonista mais ágil, expressiva e focada em combate. A aventura se passa em Pharloom, um novo reino vasto e cheio de contrastes, repleto de inimigos desafiadores, chefes memoráveis e segredos bem escondidos.
Com jogabilidade mais rápida, novas habilidades, ferramentas e uma estrutura de missões mais clara, Silksong preserva a essência de Hollow Knight enquanto refina seus sistemas e amplia a escala da experiência. A direção de arte desenhada à mão, a trilha sonora envolvente e o level design cuidadoso reforçam o cuidado e o carinho por trás do projeto. Nesta análise, avaliamos se toda essa ambição realmente se traduz em uma experiência que vale a pena jogar. Fique conosco até o final e confira o qual incrível é este jogo chamado Hollow Knight: Silksong!
Uma sequência cercada por expectativas: Silksong e o peso da espera
Quando um jogo passa anos em desenvolvimento, especialmente como sequência de um título tão aclamado quanto Hollow Knight, as expectativas naturalmente atingem níveis altíssimos. Hollow Knight: Silksong carrega um peso ainda maior por ter nascido como uma simples expansão e evoluído para um jogo completo, o que alimentou teorias, memes, ansiedade coletiva e uma espera que pareceu interminável para os fãs. Não se tratava apenas de lançar “mais do mesmo”, mas de justificar cada ano de silêncio e provar que a Team Cherry ainda tinha algo especial a dizer dentro desse universo.
A grande pergunta, porém, nunca foi apenas se Silksong é bom, mas se ele vale a pena para cada jogador individualmente. O tempo de desenvolvimento, o histórico do primeiro jogo e até o preço inevitavelmente entram na conta. Para alguns, nada seria suficiente para atender às expectativas criadas ao longo de tantos anos; para outros, a simples oportunidade de retornar a um mundo criado com tanto cuidado já seria o bastante. Essa relação entre expectativa e entrega é um dos temas centrais que acompanham a experiência do início ao fim.
Logo nas primeiras horas, fica claro que Silksong não tenta apagar sua origem nem fugir das comparações. Ele se apoia na base sólida construída por Hollow Knight, mas procura justificar sua existência com identidade própria. A mudança de protagonista, o novo reino de Pharloom e a proposta de uma jornada que agora se move para cima, em vez de descer às profundezas, dão o tom de que estamos diante de algo familiar, mas ao mesmo tempo único e diferente. É uma continuação consciente de seu legado, que sabe exatamente de onde veio e o que precisa preservar.
No fim das contas, Hollow Knight: Silksong não busca agradar a todos de forma universal. Ele entende que a espera criou expectativas quase impossíveis de satisfazer, mas ainda assim entrega uma experiência que recompensa quem se permite mergulhar em seu ritmo, aceitar seus desafios e abraçar sua proposta. Mais do que responder se “valeu a pena esperar”, o jogo convida o jogador a responder algo mais pessoal: se essa jornada, com tudo o que ela oferece, vale a pena para você.
Hornet em destaque: narrativa, carisma e uma jornada com propósito

Uma das maiores diferenças de Hollow Knight: Silksong em relação ao jogo original está na sua protagonista. Se o primeiro Hollow Knight apostava em um herói silencioso, quase vazio de identidade, Silksong coloca Hornet no centro da experiência como uma personagem com voz, personalidade e história própria. Essa mudança impacta diretamente a forma como a narrativa é conduzida e como o jogador se envolve com o mundo ao seu redor, tornando a jornada mais direta emocionalmente, sem perder o mistério característico da série.
Capturada e levada de Hallownest para o reino de Pharloom, Hornet inicia sua aventura em uma posição de desvantagem, recuperando suas forças aos poucos até compreender a dimensão da ameaça que assombra esse novo território. Diferente da descida solitária e silenciosa do primeiro jogo, aqui a progressão é marcada por uma escalada constante, tanto literal quanto simbólica. Pharloom é um reino que sofre, mas ainda pulsa vida, e a presença de Hornet funciona como um catalisador para mudanças, conectando personagens, missões e conflitos em torno de um objetivo maior.
O carisma da protagonista é um dos pilares dessa nova abordagem narrativa. Hornet conversa com NPCs, questiona, demonstra firmeza quando necessário e gentileza quando possível. Sua postura cavalheiresca e seu senso de dever contrastam com momentos em que ela se mostra direta ou até ameaçadora, principalmente em combate. Essa dualidade a torna crível e envolvente, fazendo com que o jogador se importe não apenas com o destino do reino, mas também com o crescimento pessoal da personagem ao longo da jornada.
Os habitantes de Pharloom também desempenham um papel essencial nessa construção. Personagens como cartógrafos, caçadores, artistas e figuras excêntricas não estão ali apenas para preencher o mundo, mas para reforçar temas como esperança, ascensão e sobrevivência. Cada encontro ajuda a dar contexto ao reino e às suas mazelas, enquanto pequenas histórias paralelas enriquecem o pano de fundo narrativo. Mesmo os inimigos e chefes, ainda que silenciosos, transmitem intenções e conflitos por meio de design e comportamento.
Além disso, Silksong aprofunda a herança de Hornet, explorando sua ligação com os Tecelões e seu passado real de forma mais clara, embora ainda fragmentada. Grande parte dessas revelações surge em missões secundárias opcionais, recompensando jogadores curiosos que se desviam do caminho principal. Essa escolha mantém viva a essência narrativa da série, baseada em descobertas graduais, mas agora com uma protagonista que dá sentido humano e emocional a cada fragmento de história encontrado.
Jogabilidade e combate: fluidez, liberdade e novas camadas de estratégia

Em termos de jogabilidade, Hollow Knight: Silksong deixa claro desde cedo que sua base é a mesma que consagrou o primeiro jogo, mas tudo foi ajustado para refletir a agilidade e o estilo de luta de Hornet. O combate é mais rápido, mais acrobático e exige maior precisão, transformando cada confronto em uma espécie de dança constante entre ataque, posicionamento e leitura de movimentos inimigos. Para quem já conhece o ritmo de Hollow Knight, a adaptação é quase imediata, mas dominar completamente as novas mecânicas leva tempo e recompensa a prática.
Hornet conta com um conjunto de habilidades de mobilidade muito mais amplo do que o antigo Cavaleiro. Saltos na parede, pulo duplo e corridas rápidas fazem parte do pacote, mas o destaque fica para o golpe descendente reformulado, que agora funciona como um mergulho diagonal. No início, essa mudança pode causar estranhamento, principalmente ao calcular distâncias e tempos de ataque, mas, uma vez dominada, ela abre possibilidades criativas tanto para atravessar áreas quanto para encadear ataques durante o combate. Saltar sobre inimigos, reposicionar-se no ar e atacar novamente se torna algo natural e extremamente satisfatório.
O sistema de personalização também passou por mudanças importantes. Os antigos Amuletos dão lugar aos Brasões e Ferramentas, que oferecem uma abordagem mais flexível ao estilo de jogo. Os Brasões alteram movimentos e definem quantos espaços estão disponíveis para equipar Ferramentas, enquanto estas funcionam como consumíveis com efeitos variados, desde ataques à distância até armadilhas e habilidades ofensivas mais elaboradas. Essa combinação incentiva a experimentação e permite adaptar Hornet tanto para exploração quanto para lutas mais intensas contra chefes específicos.
As Ferramentas, em especial, adicionam uma camada estratégica interessante. Lançar projéteis, criar áreas de dano no chão ou invocar pequenos autômatos muda completamente a forma como certos encontros são enfrentados. Mesmo sendo consumíveis e exigindo reparos com recursos do jogo, elas nunca parecem descartáveis, mas sim parte integrante do arsenal da protagonista. Aos poucos, o jogador aprende quais combinações funcionam melhor para cada situação, tornando o combate mais profundo do que simplesmente atacar e desviar.
Outro ponto forte é a liberdade oferecida pelo design de mundo. Silksong permite enfrentar inimigos, áreas e até chefes opcionais fora da ordem esperada, desde que o jogador tenha habilidade ou criatividade suficientes. Essa abertura reforça o espírito metroidvania da série, mas com uma progressão mais clara e menos confusa do que no jogo original. No conjunto, a jogabilidade de Hollow Knight: Silksong não apenas respeita o legado da franquia, como o expande de forma inteligente, oferecendo um sistema de combate fluido, desafiador e profundamente gratificante.
Mundo, exploração e apresentação: arte, música e imersão em Pharloom

Explorar Pharloom é uma das experiências mais marcantes de Hollow Knight: Silksong, e grande parte disso se deve à forma como a Team Cherry constrói seu mundo. Cada área possui identidade própria, conectando-se de maneira orgânica e fluida, sem jamais parecer um simples conjunto de salas isoladas. O jogo transmite a sensação de estar percorrendo um reino vivo, repleto de história, conflitos e segredos, onde a curiosidade do jogador é constantemente recompensada com novos caminhos, atalhos e descobertas inesperadas.
Visualmente, o jogo Silksong é totalmente impressionante e interessante. Toda a arte é desenhada à mão, com um nível de detalhe que chama atenção mesmo nos ambientes mais sombrios. Regiões como vilarejos decadentes, zonas industriais perigosas e construções grandiosas contrastam entre si, criando uma variedade estética que mantém a exploração sempre desafiadora e interessante. Pequenos detalhes como bancos que rangem ao serem usados, luzes suaves em locais hostis e corpos de inimigos integrados ao cenário, reforçam a atmosfera e mostram o cuidado extremo com a ambientação.
A trilha sonora, novamente composta por Christopher Larkin, eleva ainda mais essa imersão. Cada área possui uma identidade musical própria, que ajuda a definir o clima do lugar, seja ele melancólico, tenso ou grandioso. Os violinos acelerados nos momentos de descoberta, o piano introspectivo em áreas mais calmas e as composições intensas durante batalhas importantes criam uma experiência sonora memorável. O design de som também merece destaque, com efeitos sutis que variam conforme o ambiente e aumentam a sensação de existência e atenção no mundo.
A exploração vai além do visual e da música. Silksong equilibra bem plataformas, quebra-cabeças, desafios de percepção e atividades opcionais, como minijogos e pequenas missões paralelas. Mesmo sem um mapa completo, o jogo raramente deixa o jogador perdido, oferecendo pistas visuais e caminhos que conduzem naturalmente à progressão. Ao mesmo tempo, sempre há incentivos para revisitar áreas antigas, seja para acessar novos locais com habilidades recém-adquiridas ou para cumprir missões adicionais.
Outro ponto importante é como a estrutura do mundo dialoga com a narrativa. Regiões mais opressivas contrastam com áreas de beleza quase serena, refletindo o estado de Pharloom e os desafios enfrentados por seus habitantes. Essa coerência entre exploração, história e apresentação transforma cada avanço em algo significativo. Em conjunto, arte, música e design de mundo fazem de Hollow Knight: Silksong uma experiência profundamente imersiva, capaz de prender o jogador não apenas pela jogabilidade, mas pelo prazer constante de explorar e observar cada detalhe.
Dificuldade, desafios e longevidade: frustração, aprendizado e recompensa

A dificuldade sempre foi um dos pilares de Hollow Knight, e em Silksong ela retorna de forma ainda mais exigente. Desde os inimigos comuns até os chefes principais, o jogo deixa claro que não pretende pegar leve com o jogador. Muitos adversários causam dois pontos de dano por contato ou ataque, e considerando que Hornet começa com uma quantidade limitada de vida, cada erro pesa mais. Isso torna a progressão naturalmente mais tensa e transforma encontros aparentemente simples em testes constantes de atenção e posicionamento.
O sistema de cura também contribui para essa sensação de risco permanente. A habilidade de Ligação permite recuperar vida usando Seda, inclusive no ar, mas o processo pode ser interrompido facilmente, fazendo com que todo o recurso seja desperdiçado. Além disso, a mesma quantidade de Seda pode curar três pontos de vida ou apenas um, forçando o jogador a tomar decisões rápidas e estratégicas em meio ao caos do combate. Saber quando arriscar a cura ou continuar atacando é uma escolha que define muitas vitórias e derrotas.
Os chefes são, sem dúvida, o ápice desse desafio. Suas lutas exigem leitura de padrões, reflexos rápidos e adaptação constante, funcionando quase como duelos coreografados. Embora alguns confrontos possam beirar a frustração, raramente parecem injustos. Cada derrota ensina algo novo, e a sensação de finalmente superar um chefe difícil é extremamente recompensadora. Ainda assim, a escassez de pontos de reaparecimento e os longos caminhos de volta até certas arenas aumentam a pressão, tornando cada tentativa mais intensa.
Felizmente, Silksong oferece ferramentas para equilibrar essa dificuldade, desde Brasões e Ferramentas que reduzem danos específicos até combinações que facilitam a cura ou o controle de inimigos. O problema é que o jogo nem sempre deixa claro o quanto explorar e experimentar equipamentos diferentes pode fazer a diferença. Jogadores menos inclinados a sair do caminho principal podem enfrentar obstáculos muito mais duros do que o necessário, enquanto os mais curiosos tendem a encontrar soluções criativas para desafios aparentemente impossíveis.
Em termos de longevidade, Hollow Knight: Silksong entrega muito além da campanha principal. Há dezenas de chefes, áreas opcionais, missões secundárias e segredos espalhados por Pharloom, além do incentivo constante para revisitar locais antigos com novas habilidades. Mesmo após os créditos, o desejo de completar o diário, testar novos estilos de jogo ou enfrentar desafios mais extremos mantém o jogo vivo por muitas horas. É uma experiência que alterna frustração e fascínio, mas que recompensa profundamente quem aceita o desafio e se permite evoluir junto com Hornet.
Conclusão: Vale a pena jogar Hollow Knight: Silksong?

Hollow Knight: Silksong é uma experiência tão fascinante quanto exigente, capaz de encantar visualmente enquanto testa os limites da habilidade do jogador. Não é um jogo que se revela por completo logo nas primeiras horas, mas quem aceita seu ritmo encontra uma jornada memorável em Pharloom, marcada por desafios intensos, exploração recompensadora e uma protagonista carismática. Hornet dá uma nova identidade à franquia, trazendo mais fluidez ao combate, maior expressividade narrativa e uma progressão mais clara sem abandonar o espírito metroidvania que consagrou a série.
Mesmo sendo uma sequência relativamente segura em sua base, Hollow Knight: Silksong aprimora quase tudo o que funcionou no primeiro jogo. A direção de arte impecável, a trilha sonora envolvente e as novas camadas de gameplay justificam a longa espera. Para fãs de Hollow Knight, a compra é praticamente obrigatória. Para novos jogadores, o desafio pode ser intimidador, mas a recompensa vale o esforço. No fim, Hollow Knight: Silksong não apenas vale a pena como também é atualmente um dos grandes nomes do gênero.

Vantagens (Prós)
- Mecânicas novas refinam e expandem a base sólida de Hollow Knight.
- Mundo rico, vivo e cheio de personagens carismáticos para descobrir.
- Protagonista com narrativa forte e personalidade bem construída.
- Chefes intensos que testam habilidade, reflexo e estratégia.
- Trilha sonora marcante e combate ampliado com Brasões e Ferramentas.
- Progressão recompensadora em mobilidade, exploração e combate.
Desvantagens (Contras)
- Estrutura segura que pouco se afasta da fórmula do jogo original.
- Ritmo lento em alguns momentos devido à exploração extensa.
- Dificuldade elevada que pode afastar jogadores iniciantes no gênero.
- Nem todo desvio ou área secreta oferece recompensas relevantes.
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